Sete cidades do Alto Tietê dizem que não adotam medicamentos do ‘kit Covid’ na rede pública para tratamento da Covid-19
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Sete cidades do Alto Tietê dizem que não adotam medicamentos do ‘kit Covid’ na rede pública para tratamento da Covid-19

Veja o que disse cada município do Alto Tietê sobre os questionamentos a respeito do “kit Covid”.

Sete cidades do Alto Tietê informaram que medicamentos do chamado “kit Covid”, associados a um possível tratamento precoce da Covid-19, mas que não têm eficácia comprovada no combate à doença, não são adotados pela rede pública do município.

A reportagem questionou as dez cidades da região se medicamentos do “kit Covid” estavam sendo receitados, se os médicos têm autonomia para isso ou se receberam alguma recomendação para não fazê-lo, bem como se o município compra medicamentos como hidroxicloroquina e ivermectina para casos de Covid-19.

Até o momento, os questionamentos foram respondidos por Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá e Suzano. A reportagem aguarda retorno de Arujá, Salesópolis e Santa Isabel.

Abaixo, veja o que disse cada município do Alto Tietê sobre os questionamentos a respeito do “kit Covid”.

Biritiba Mirim

O município informou apenas que “não adotou o ‘kit Covid’ como procedimento padrão”.

Ferraz de Vasconcelos

De acordo com a Secretaria de Saúde de Ferraz de Vasconcelos, “não existe a recomendação da utilização do ‘kit Covid’ instituído por protocolos no município”. De acordo com a Secretaria, “o que cabe nas Unidades Básica de Saúde (UBSs) é a autonomia médica frente ao caso clínico de sintomas”.

Guararema

Em relação ao “kit Covid” e a medicamentos como hidroxicloroquina e ivermectina, a Secretaria de Saúde de Guararema ressaltou que “não há comprovação científica, nem liberação da ANVISA para utilização desses medicamentos para essa finalidade. Por este motivo, não há possibilidade de aquisição do ‘kit’ pela gestão pública”.

Itaquaquecetuba

A Prefeitura disse que “a rede pública municipal de Itaquaquecetuba não receita ‘kit Covid’. Há um protocolo de manejo que não o reconhece”.

Mogi das Cruzes

Sobre o “kit Covid”, o secretário municipal de Saúde, Henrique Naufel, lembra que “as entidades médicas pedem a suspensão do uso de medicamentos como a cloroquina e a ivermectina, por não haver comprovação científica de eficácia no tratamento da Covid-19”.

Naufel disse ainda que “há diversos relatos de pacientes que tomaram esses medicamentos e tiveram comprometimento dos rins e do fígado, desenvolvendo hepatite medicamentosa e, em casos mais graves, com o risco de transplante após a utilização dessas drogas”.

Para finalizar, o secretário de Saúde de Mogi disse que “o momento atual exige kits de intubação e oxigênio, que são os suprimentos utilizados no tratamento dos doentes, e não de medicamentos que compõem o chamado ‘kit Covid'”.

Poá

Em Poá, a Prefeitura informou que, “diante da falta de comprovação científica, e considerando estudos que apontam graves efeitos colaterais, não faz parte do protocolo municipal de enfrentamento à pandemia de COVID-19 a adoção de tratamento preventivo com o assim chamado ‘Kit COVID’”.

O município disse ainda que “não vem comprando os medicamentos Ivermectina ou Hidroxicloroquina para serem usados nestas circunstâncias, ou seja, para tratamento precoce da COVID-19, em virtude da crise financeira que afeta o município que, inclusive, decretou estado de calamidade financeira”.

Por fim, a Secretaria de Saúde de Poá disse que “vem envidando seus máximos esforços no sentido de obter recursos, insumos e pessoal para prestar a melhor assistência possível para seus cidadãos, e está atenta ao surgimento de quaisquer tratamentos cientificamente comprovados e aprovados pelos órgãos competentes para adotá-los prontamente”.

Suzano

Em Suzano, a Secretaria de Saúde disse que “o ‘kit Covid’ não é receitado pelos médicos da rede municipal de saúde” e que não compra medicamentos como hidroxicloroquina e ivermectina para casos de Covid-19.

Em relação ao questionamento sobre a autonomia dos médicos e se os profissionais haviam recebido alguma recomendação no sentido de não receitar esses medicamentos, o município disse que “os médicos têm autonomia em suas condutas de acordo com o código de ética profissional”.

O que dizem autoridades e especialistas

Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS)publicou uma diretriz com uma forte recomendação para que a hidroxicloroquina não seja usada como tratamento preventivo da Covid-19. Em fevereiro, a fabricante da ivermectina informou que não há dados suficientes que sustentem a eficácia do medicamento contra essa doença.

No dia 23 de março, a Associação Médica Brasileira (AMB) divulgou um boletim no qual condena, entre outros pontos, o uso de remédios sem eficácia contra a Covid-19 e pede o banimento da utilização desses medicamentos.

Com Informações: G1 Mogi das Cruzes e Suzano

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