Número de reclamações de escolas profissionalizantes triplica em Suzano

Fundação Procon divulgou lista de empresas mais reclamadas.
Dados são referentes aos atendimentos de janeiro a julho de 2015 e 2016.

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Durante os sete primeiros meses de 2016, o Procon de Suzano recebeu 32 reclamações sobre cursos profissionalizantes oferecidos à estudantes. O número é três vezes maior do que os atendimentos registrados no mesmo período do ano passado. A instituição divulgou ainda uma lista com o nome das empresas reclamadas tanto em 2015 quanto em 2016.

A diretora da Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor, Sandra Nogueira, explica que muitas empresas promovem um feirão para apresentar os cursos aos alunos com a promessa de bolsa. Depois da firmação do contrato, as vítimas do golpe são informadas que as bolsas oferecidas não correspondem à 100% do valor das mensalidades.

“Essas escolas são verdadeiras armadilhas. Durante a feira, que geralmente acontece aos sábados em escolas, eles passam uma imagem de alta credibilidade e responsabilidade para os pais dos alunos adolescentes. Eles prometem ‘X’, ‘Y’ coisas para adolescentes de famílias carentes que estão procurando uma oportunidade de emprego e acham que será mais fácil de conseguir um trabalho com um curso profissionalizante de informática ou inglês.”

De acordo com a diretora do Procon, a atitude dessas empresas fere o Código de Defesa do Consumidor por conta da propaganda enganosa e os seus responsáveis também são processados criminalmente pelo crime de estelionato. “Eles iludem essas pessoas com a possibilidade de bolsa e, quando os pais vão até a sede física dessa escola golpista, descobrem que o desconto é de apenas 5%. Como os alunos já estavam cadastrados nesses feirões que acontecem nas escolas, eles se veem presos ao contrato, com a pena do pagamento de multa se houver rescisão. Mas, quando nós somos acionados para esses casos, nós quebramos o contrato na hora. Se as empresas querem dar um desconto de apenas 5%, que divulguem esse valor no momento que oferecem a proposta”, acrescenta Sandra.

Por muito pouco, o filho de 16 anos de Auzenir Pereira Linhares não caiu no golpe do curso gratuito oferecido em Suzano, no ano passado. A manicure conta que o adolescente recebeu uma ligação com promessas até mesmo de emprego. “Eles disseram que meu filho tinha sido sorteado para fazer um curso gratuito e que depois ele já teria um emprego.”

O pai do rapaz acompanhou o adolescente na sede da empresa, mas percebeu que se tratava de um golpe quando foi assinar o contrato e viu que o curso não era gratuito. “Meu marido ficou muito bravo por termos perdido tempo com isso enquanto queriam só iludir a gente. Hoje, quando ligam aqui em casa e contam essa história de prêmio, eu nem acredito mais”, completa.

Outra prática comum entre as empresas, segundo o Procon, é a migração das escolas para outras cidades quando o golpe é aplicado em uma determinada região.

São quatro escolas na lista divulgada pelo Procon de Suzano: Start Pró Treinamento, Microlins, Monami Comércio de Livros e MDP Miranda Treinamento em Informática.

Por telefone, o diretor da escola Start Pró Treinamento explicou que a empresa não faz divulgação dentro das escolas, apenas a distribuição de planfletos. De acordo com a diretoria, existem dois programas oferecidos pela unidades: um treinamento gratuito sobre mídias sociais, marketing pessoal, educação, etc. e os cursos pagos, que são oferecidos aos alunos que vão até a unidade. Ainda segundo a direção, todos os alunos são informados dos valores dos cursos e não há mais pendências com a Fundação Procon.

O G1 entrou em contato com a unidade da Microlins de Suzano, mas os os responsáveis não retornaram a ligação para prestar esclarecimentos. Ninguém atendeu os telefonemas da reportagem nos números de telefone encontrados na internet das escolas Monami Comércio de Livros e da MDP Miranda Treinamento em Informática.

Com Informações: G1 Mogi das Cruzes e Suzano

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