Moradores de Suzano reclamam de falta de pediatra no pronto-atendimento de Palmeiras
Foto: Reprodução/TV Diário

Moradores de Suzano reclamam de falta de pediatra no pronto-atendimento de Palmeiras

Outra queixa é fechamento da unidade durante a noite. Prefeitura diz que faltas de médicos são cobertas com hora extra dos colegas e que unidade funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Moradores do distrito de Palmeiras, em Suzano, reclamam do pronto-atendimento do bairro. A unidade deveria funcionar 24 horas com clínico geral e pediatra mas, na prática, segundo as reclamações, nem sempre há médicos.

Segundo a Prefeitura, as faltas de médicos são cobertas com hora extra dos colegas. A administração municipal ainda informou que a unidade funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Ainda de acordo com a Prefeitura, um concurso público vai renovar e colocar novos médicos para deixar 100% organizado o quadro do pronto-atendimento.

Reclamações

A filha de 9 anos da cozinheira Andréia Alves se machucou depois que caiu da bicicleta na sexta-feira (21). Ela teve apenas alguns arranhões, mas bateu a cabeça na queda e estava com fortes dores. Segundo a mãe, a menina chegou a desmaiar.

Preocupada, Andréia levou a filha ao pronto-atendimento, no Distrito de Palmeiras, em Suzano. “Chegou lá, ela desmaiou na frente deles. Eu disse que ela tinha caído da bicicleta e estava passando mal. Mas eles disseram que não tinha médico, que ele chegaria só às 7h. Ela disse para eu falar com o enfermeiro e ele me disse que não poderia fazer nada. Ele disse que se eu quisesse era para esperar 3 horas por uma ambulância para levar você para a Santa Casa pode esperar. Eu sai e levei ela para UPS de Ribeirão Pires e foi onde ela ficou internada”, conta Andréia.

Fernanda dos Santos é vizinha da Andréia e também reclama do atendimento na unidade. Ela conta que a médica não pediu o exame necessário para diagnosticar a doença da filha.

“Minha filha estava há 15 dias com tosse e eles passaram somente medicamentos para ela. Eu disse para a médica se poderia fazer um raio-X porque ela sentia muita dor e falta de ar. Mas ela me disse que com os remédios ela ficaria bem e que não tinha nada. À noite a minha filha piorou e a levei para a UPA de Ribeirão Pires. Lá fizeram um raio-X e ela estava com começo de pneumonia. Ela ficou três dias internada. Então, se eu não corresse, a minha filha poderia ter morrido”, conclui Fernanda.

O pronto-atendimento deveria funcionar 24 horas com clínico geral e pediatra. A recepcionista da unidade confirmou que não havia pediatra. “A gente não tem pediatra hoje. Ele está de folga que tem direito semanalmente. De qualquer forma tem uma médico para emergência. “

As moradoras de Palmeiras afirmam que os problemas no pronto- atendimento são antigos. “A gente vai lá e pergunta se tem pediatra e não tem. Hoje fui lá de manhã e não tinha. E clínico só até as 18h. E esses dias o hospital foi fechado 22h, porque não tinha ninguém para atender. E foi inaugurado como 24 h, com médico e enfermeiro, mas não tem”, afirma a estudante Vitória Aparecida.

Outro lado

O secretário de Saúde de Suzano, Luís Cláudio Guillaumon, afirma que a filha de Andréia Alves passou por uma triagem na unidade.

“A gente fez uma averiguação dos procedimentos realizados na unidade e havia médico sim no horário. A paciente passou por uma triagem e foi orientada que, como foi um trauma, ela seria encaminhada para ao pronto-socorro municipal onde poderia fazer um exame, por exemplo, de tomografia, para avaliar se é um caso grave ou não, dar alta ou internar. Mas como a paciente não quis esperar a remoção, ela optou em procurar outro serviço.”

Quando ao prazo de espera de três horas, o secretário concorda que é extenso. “É muito tempo, mas não é o correto. A ambulância estava lá e ela seria encaminhada para o pronto-socorro logo após as primeiras avaliações. Na triagem foi que pediram para avisá-la que seria removida para o PS. Esse tempo de aguardar que ela não quis esperar na unidade.”

Já sobre o caso da filha de Fernanda dos Santos, Guilaumon afirma que cada médico tem uma conduta. “Aí é um outro caso, outra forma de raciocínio. É muito difícil a gente julgar algumas condutas médicas. Mas no caso da paciente que veio para a unidade Palmeiras, ela não tinha febre, sinais clássicos de pneumonia, a conduta que a médica optou naquele momento foi uma conduta mais expectante. Cada médico tem a sua conduta e a gente apoia a conduta dos médicos do pronto-atendimento.”

Quanto às denúncia dos moradores de Palmeiras sobre a falta de pediatra, o secretário explica que era o dia de folga do profissional.

“Era um dia de folga daquele médico pediatra. Como não conseguimos alguém de hora extra. A emergência funciona para clínico e pediatria. Mas o atendimento ambulatorial não estava sendo feito. Então, se chegasse alguma criança com alguma emergência seria atendida pelos profissionais e removida para o pronto-socorro central. Nós pegamos o pronto-atendimento sem médicos e fizemos um processo seletivo. Daquele momento para cá, alguns médicos pediram exoneração saíram e a gente repôs com hora extra. Então, alguns buracos ainda existem e são cobertos com hora extra dos colegas. Mas fizemos um concurso público em Suzano e vamos renovar, colocando os novos médicos para deixar 100% organizado esse quadro de médicos no pronto-atendimento de Palmeiras.”

Já sobre o fechamento do pronto-atendimento durante a noite, Guillaumon diz que não procede. “A porta se fecha para não entrar animais e às vezes dizem que a porta está fechada, mas está sempre aberto. Mesmo porque a nossa obrigação é informar o paciente, verificar ou transportá-lo para o pronto-socorro municipal caso necessário. Então, o PA de Palmeiras está sempre aberto, 24 horas por dia, 7 dias por semana.”

Com Informações: G1 Mogi das Cruzes e Suzano

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