Mais de 27% das grávidas e puérperas internadas com Covid-19 no Alto Tietê precisaram de UTI, aponta levantamento
Foto: Getty Images

Mais de 27% das grávidas e puérperas internadas com Covid-19 no Alto Tietê precisaram de UTI, aponta levantamento

Ao todo, das 58 mulheres internadas, 19 evoluíram para estágios mais graves da doença. Segundo especialista, número está dentro da média nacional, mas acende um alerta para a necessidade de atenção a esse grupo.

Desde o início da pandemia até 21 de abril mais de 27% das grávidas e mães de recém-nascidos internadas com Covid-19 no Alto Tietê evoluíram para estágios mais graves da doença e foram transferidas para UTI.

Os dados são do Observatório Obstétrico Brasileiro (OOBr) e levam em consideração os casos já finalizados, tanto em cura, quanto em óbito, o que chega ao total de 58 nas dez cidades. A região ainda tem outros nove ativos, isto é, em tratamento.

Do total, 19 mulheres foram para UTI, sendo que 8 precisaram ser intubadas. O número de mortes chega a três, que foram registradas em dois municípios. O balanço utiliza informações do SIVEP-Gripe, do Ministério da Saúde.

De acordo com Rossana Francisco, docente do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP e coordenadora do OOBr, o índice está dentro da média nacional, que é de 25,5%, mas acende um alerta.

Ela explica que o risco de evolução para Covid-19 grave é maior neste público e que, por isso, é importante garantir a segurança dessas mulheres, além de ofertar leitos estruturados para atender mães e bebês.

As cidades de Arujá e Salesópolis são as que registram os maiores percentuais, pois todos os casos finalizados nas cidades passaram pela UTI. Em seguida está Ferraz de Vasconcelos, onde 57% das 7 pacientes precisaram de internação em terapia intensiva.

Na cidade de Mogi das Cruzes esse índice é de 46% para um total de 13 grávidas e puérperas. Segundo Observatório, no município de Suzano, 37% das 8 pacientes precisaram de leitos de terapia intensiva. Em Poá, apenas 1, das 3, foi para UTI.

Itaquaquecetuba registrou uma taxa de 9% de internação em unidade de terapia intensiva entre os 22 casos registrados, enquanto Guararema e Santa Isabel não tiveram nenhuma internada nessas condições.

Risco agravado

Rossana Francisco destaca que um estudo realizado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, aponta que as grávidas e puérperas têm risco maior de precisar de internação em UTI e de serem intubadas, ou de morrer em decorrência da Covid-19, em comparação a outras mulheres de mesma idade e com as mesmas doenças pré-existentes.

Por isso, para ela, é preciso que a população siga cuidados específicos para que esse público fique protegido, além de ter acesso a tratamentos completos e adequados as suas necessidades.

“Para não ter uma evolução para Covid-19 grave, é importante que a pessoa, assim que começar a sentir sintomas, que ela procure um hospital, para que ela possa ser adequadamente tratada. Do lado do hospital, é importante que tenha estrutura boa para atendimento das gestantes e puérperas, que são as mulheres que tiveram seus bebês há menos de 42 dias”, diz.

“O ideal é que uma gestante, se ela precisar de leito de UTI, ela fique em um local onde ela possa estar sendo cuidada por uma equipe de intensivistas e também por uma equipe de obstetras, que pudessem estar atendendo e que tivessem, também, uma UTI neonatal. A gente pode ter uma situação onde esse parto precise acontecer prematuramente”, completa.

A imunização também deve estar em foco, como forma de política pública, mas a especialista lembra que essa deve ser uma escolha da mulher, assim como a decisão de adiar ou não a gestação. Isso porque ainda não há conhecimento sobre os efeitos dos imunizantes contra o coronavírus nesse grupo. O Brasil recebeu nesta quinta-feira (29), o primeiro lote de vacina da Pfizer que irá reforçar a campanha de imunização.

“A gente está em uma situação grave no país. É um número grande de mortes maternas. Na verdade, a gente precisa de algumas ações que passem pela autonomia da mulher de decidir o que ela quer fazer. Ela precisa ter informação da situação e ela pode, a critério dela, decidir postergar essa gestação ou decidir se ela quer ser vacinada ou não”, pontua.

“Como as vacinas não foram testadas em gestantes, o que a gente tem são análises de outras informações. Por exemplo, as plataformas que são usadas para a vacina da Covid-19, são as mesmas usadas em outras vacinas. Então, nós temos a segurança de que elas funcionem bem. Outra segurança é de que é usado o vírus inativo, isso faz com que a gestante não tenha risco de pegar Covid porque está sendo vacinada”, diz Rossana.

Com Informações: G1 Mogi das Cruzes e Suzano

Fechar Menu