Cinco vereadores de Mogi são presos em operação; investigação do MP aponta que empresários compravam apoio para aprovar leis
Vereadores presos por suspeita de corrupção em Mogi das Cruzes — Foto: Rodrigo Niemeyer/Câmara de Mogi

Cinco vereadores de Mogi são presos em operação; investigação do MP aponta que empresários compravam apoio para aprovar leis

Foram presos, de acordo com o Ministério Público, os vereadores Carlos Evaristo da Silva (PSB), Diego de Amorim Martins (MDB), Francisco Moacir Bezerra (PSB), Jean Lopes (PL) e Mauro Araújo (MDB), além de três empresários. Investigação apura crime de corrupção na câmara, na saúde e no Semae.

A Polícia Militar prendeu na manhã desta sexta-feira (4) cinco vereadores de Mogi das Cruzes e três empresários por suspeita de envolvimento em corrupção. A investigação aponta que os empresários compravam apoio para aprovar leis encomendadas por eles. A polícia ainda busca por um sexto vereador, dois empresários e um funcionário da Câmara. A reportagem procura pela defesa dos suspeitos.

A operação “Legis Easy” faz parte de uma investigação da Promotoria do Patrimônio Público e envolve, ao todo, 12 mandados de prisão, sendo que oito foram cumpridos durante a manhã. Policiais estão nas ruas na tentativa de cumprir outros quatro.

Os vereadores presos preventivamente são Carlos Evaristo da Silva (PSB), Diego de Amorim Martins (MDB) – o Diegão, Francisco Moacir Bezerra (PSB), Jean Lopes (PL) e Mauro Araújo (MDB). Também foram presos, segundo a promotoria, Carlos César Claudino de Araújo, empresário e irmão de Mauro Araújo, que seria o operador financeiro do esquema; e os empresários Joel Leonel Zeferino e Willian Casanova, do ramo da construção civil, sendo que o último também é funcionário da Câmara.

Resumo

  • Cinco vereadores de Mogi das Cruzes foram presos por suspeita de corrupção na Câmara e em contratos com a Secretaria Municipal de Saúde e com o Semae
  • São 12 mandados de prisão, 8 já cumpridos
  • A polícia ainda procura por um sexto vereador, dois empresários e um funcionário da câmara que também tiveram a prisão decretada
  • Três empresários foram presos na operação, dois deles do ramo da construção civil
  • A investigação aponta compra de apoio de parlamentares para aprovar leis encomendadas pelos empresários
  • De acordo com a Promotoria do Patrimônio Público, as empresas com contrato com a administração pública repassam dinheiro para empresas ligadas ao Mauro Araújo, que, depois, repassam para os vereadores em troca de apoio político
  • O vereador Francisco Moacir Bezerra passou mal e foi levado para atendimento pelo Samu

Ainda segundo o Ministério Público, ao todo são 12 mandados de busca e apreensão, além dos 12 de prisão. A investigação é continuidade de uma operação realizada no gabinete do vereador Mauro Araújo em novembro de 2019, quando houve a apreensão de celulares e documentos. Também foi decretada a quebra de sigilo bancário.

Depois de preso, o vereador Francisco Moacir Bezerra passou mal e foi levado para atendimento pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Carlos Evaristo e Chico Bezerra, que precisou ser atendido pelo Samu ao passar mal após ser preso — Foto: Alessandro Batata/TV Diário

Além de empresário Willian Casanova também é consultor de assuntos governamentais da Câmara de Mogi das Cruzes. A folha de pagamento de maio, a última publicada pelo site do Legislativo, indica salário bruto de R$ 10.374,23.

A investigação

De acordo com a promotoria, a investigação aponta corrupção na Câmara e em contratos com a Secretaria Municipal de Saúde de Mogi das Cruzes e com o Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae).

Por meio de cruzamentos de dados entre conversas de WhatsApp, documentos e quebra de sigilo bancário, a promotoria identificou três empresas usadas para lavar dinheiro e quem eram os beneficiados pelos repasses financeiros.

Segundo o MP, as empresas são a WA, de Mauro Araújo; a MLC do irmão dele, Carlos César Claudino de Araújo; e a Casanova Mix, uma empresa da área de materiais de construção de Willian Casanova. As empresas, então, segundo a investigação repassavam dinheiro para outros vereadores.

A verba, de acordo com o Ministério Público, servia para comprar apoio na Câmara para aprovar leis encomendadas pelos empresários. O esquema, de acordo com a Promotoria do Patrimônio Público, envolvia empresas com contrato com a administração pública, que repassam para empresas ligadas ao Mauro Araújo, que, depois, repassam para os vereadores em troca de apoio político.

A investigação apura se houve organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro e está em andamento, mas a justiça decretou as prisões preventivas. O prazo para oferecimento de denúncia é de dez dias.

Posições

Um perfil do vereador Diego de Amorim Martins (MDB) em uma rede social publicou um post afirmando que ele é inocente e disse até que ele não foi preso, apesar de a Justiça ter sim determinado a prisão. O parlamentar afirma que está colaborando com os esclarecimentos, que tem uma vida pautada pela transparência e que está sendo perseguido.

A Câmara informou que não foi notificada, que os eventos aconteceram fora das dependências do Legislativo e que, por enquanto, não vai se pronunciar.

O advogado Dirceu Câmara Valle representa o empresário Leonel Zeferino e afirmou que vai buscar revogar a prisão. “Os esclarecimentos já foram prestados pelo empresário Leonel Zeferino, inclusive com documentos, e também os esclarecimentos que foram prestados pelas autoridades políticas ouvidas, eu acredito que não há nenhuma substância mais na acusação. Quero crer, pelo bem da justiça, que vai ser revista e revogada qualquer medida em desfavor deles”, afirmou.

Com Informações: G1 Mogi das Cruzes e Suzano

 

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