Beth Carvalho comemora 50 anos de carreira e lamenta falta do samba engajado

Em entrevista, sambista relembra a trajetória na música e comenta sua relação com as novas tecnologias: “Em termos financeiros não é bom”

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A sambista Beth Carvalho está completando 50 anos de carreira, mas, para ela, o tempo não parece ter passado. “Caí para trás quando vi que já fazia 50 anos, não esperava”, confessou a cantora em entrevista por telefone ao iG. Para comemorar a marca, ela faz um show especial no Citibank Hall, em São Paulo, nesta sexta-feira (23).

É impossível condensar meio século de uma carreira tão rica em um show de pouco menos de duas horas de duração, mas a carioca garante ter feito seu melhor para isso. “Eram 80 músicas no setlist, mas era impossível. Então deixei 25, vou ficar devendo algumas”, disse. “Mas todo mundo aprovou, estou contente porque acertei”, garantiu.

Em todo esse tempo, Beth Carvalho construiu uma carreira invejável. “Foi bastante vitoriosa, não tenho do que me queixar. O samba me deu tudo”, disse a cantora, que se orgulha de ter sido homenageada no Grammy Latino em 2009, das três participações no Festival de Montreux e de ter sido tema de quatro sambas-enredo nos últimos anos.

Outro orgulho da carioca é ter mudado o samba como o conhecemos. Cria do Cacique de Ramos, ela conta ter introduzido uma nova sonoridade ao ritmo com instrumentos que não eram muito usados no gênero. Mas isso abriu uma porta para um estilo do qual a artista não é muito fã. “Veio o outro tipo de samba que não acho que é samba, que é esse pagode atual. Pra mim é outra coisa, não tem a poesia e a filosofia do samba”, afirmou. “Faz sucesso, tudo bem, mas não é o samba que eu abraço.”

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A cantora reconhece que o gênero mudou muito nos últimos anos e perdeu uma de suas principais características: a de registro histórico. “Falta samba que protesta”, disse. “O samba sempre foi revolucionário, sempre foi moderno, fazia denúncias, sempre pelo povo, diz melhor que ninguém os problemas da vida”, continuou.

O que mudou também foram as formas de produzir e compartilhar música, e Dona Beth acabou se rendendo às novas tecnologias. “Sou obrigada a lidar com isso”, disse. Ela garantiu que gosta da facilidade da tecnologia, mas não é a maior fã das novas plataformas. “A venda no computador é uma consequência do fim das gravadoras, em termos financeiros não é bom”, admitiu.

Mesmo comemorando meio século de carreira, Beth Carvalho quer olhar para frente, e não para trás. Ela planeja montar o Instituto do Samba Beth Carvalho, um lugar para registrar a história do gênero e levá-lo a comunidades carentes, ensinando crianças a tocar instrumentos. “Já está nas mãos do prefeito Eduardo Paes”, disse sobre o projeto.

Fonte: IG

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