Após avanço da Covid-19, Doria aumenta restrições ao comércio em São Paulo
Foto: Divulgação Governo do SP

Após avanço da Covid-19, Doria aumenta restrições ao comércio em São Paulo

Revisão de regras da quarentena havia sido adiada por duas semanas. Governo alegou que apagão de dados prejudicou diagnóstico de pandemia

Após um adiamento de duas semanas na progressão do Plano São Paulo, que define as regras de quarentena para frear o coronavírus, o governo de João Doria (PSDB) anunciou nesta segunda-feira (30/11) que todas as regiões do estado voltam para a fase que impõe restrições ao comércio, eventos culturais, bares e restaurantes.

Pelas regras da fase amarela, estabelecimentos comerciais devem limitar sua ocupação para no máximo 40%; o funcionamento fica limitado a 10 horas por dia e o horário de fechamento é 22h. Eventos com público em pé ficam proibidos.

O governo paulista disse que atrasou a revisão do plano devido ao apagão de dados do governo federal. Os ataques de hackers a órgãos federais no início de novembro causaram um atraso no sistema de contagem de casos de coronavírus do Ministério da Saúde e, segundo a equipe do governador João Doria, apesar do aumento de internações por duas semanas seguidas, ainda não havia como confirmar se a Covid-19 avançava a ponto de exigir restrições imediatas.

Como o processo ocorreu em meio ao período eleitoral e as restrições são muito impopulares, o governo Doria foi acusado pelos adversários de esconder dados com objetivos políticos. Doria e o prefeito reeleito Bruno Covas (PSDB) sempre garantiram, porém, se pautar pela ciência em suas decisões.

“Com o claro aumento da pandemia, precisamos tomar medidas de prudência”, disse Doria nesta segunda. “Essa medida não fecha comércio, nem bares, nem restaurantes, mas é mais restritiva nas medidas para evitar aglomerações e o aumento do contágio.”, completou.

O governo paulista também anunciou que as próximas revisões do Plano São Paulo serão semanais, com a próxima marcada para 4 de novembro. Até agora, as revisões eram mensais e a última levou 45 dias.

O aperto na quarentena ocorre após três semanas seguidas de aumento nas internações, de 18%, 17% e agora 7% na última semana.

Os dados

Segundo os dados divulgados pelo governo paulista, o estado já registrou 1,241 milhão de casos de coronavírus e 42.095 mortes por Covid-19.

A taxa de ocupação de UTIs no estado é de 52,2% e, na Grande SP, de 59,9%, chegando a 80% em algumas cidades. Há 4.141 internados com confirmação ou suspeita de Covid-19 nas UTIs e 5.548 nas enfermarias de hospitais públicos e particulares.

“Não estamos nem um pouco confortáveis com os últimos dados”, disse na coletiva João Gabbardo, coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus. “Gostaria que a sociedade não esperasse só determinações oficiais e legislação para adotar os cuidados”, completou ele, que tem insistido na importância de a população evitar aglomerações, principalmente em eventos sociais, como festas, ainda que familiares.

Na última semana, Gabbardo já havia dito que o comitê havia proposto medidas mais restritivas, mas o governo não acatou.

Mudanças

Até agora, seis das 17 regiões em que o governo dividiu o estado estavam na fase verde do Plano São Paulo. Com a nova decisão, todas voltam para o amarelo.

As restrições não devem atingir, no entanto, o plano de reabertura de escolas públicas e particulares.

Com Informações: Metrópoles

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