TRE busca intérpretes de Libras para atuar voluntariamente nas eleições municipais do Alto Tietê

Interessados atuarão oferecendo atendimento e orientando eleitores com deficiência auditiva.

O Projeto Libras, do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TER-SP), que conta com colaboradores que dominam a Língua Brasileira de Sinais, procura por voluntários para as Eleições 2020. No Alto Tietê, eles atuarão oferecendo atendimento e orientação aos eleitores com deficiência auditiva. Um trabalho inclusivo em prol da cidadania.

Esse será o segundo ano em que a Rosana Salvaia vai trabalhar como interprete nas eleições em Itaquaquecetuba. Mãe de dois deficientes auditivos, ela sabe a importância em participar de um momento como esse.

“Eu comecei Libras porque eu tenho dois filhos surdos. Como havia a dificuldade em poder me comunicar com eles, fui aprender Libras através de um projeto que a Prefeitura de Itaquaquecetuba tinha, que é o Projeto Colibri”, comenta.

Ela se apaixonou pela linguagem e passou a estudá-la a fundo. Atualmente, Rosana é pós-graduada em Libras e trabalha em uma escola como professora interlocutora. Trabalhar nas eleições foi mais uma forma que ela encontrou para exercer o trabalho que ama.

“Eu já trabalhava como mesária no cartório de Itaquá. Houve essa possibilidade, houve o convite de interpretar para os surdos. Eu achei viável, porque é uma coisa que eu gosto muito de fazer. Estou aqui até hoje”, afirma Rosana.

O Victor Sergio Nascimento de Paula já foi intérprete na eleição. Morador de São Paulo, ele ficou sabendo que a cidade de Ferraz de Vasconcelos precisava de voluntários na votação deste ano e se inscreveu.

“Minha primeira experiência nas eleições aconteceu em 2018. Uma eleitora surda, no momento em que ela foi votar, o mesário pediu para que ela esperasse cinco minutos na porta, porque eles estavam arrumando uma mesa, alguma coisa, não lembro agora. Eles não tiveram essa comunicação, ela não estava entendendo o que ele estava falando, ele não sabia Libras. Foi quando eles me chamaram”, relembra.

“Eu fui lá, começamos a conversar e eu expliquei para ela [em sinais]: ‘espera cinco minutinhos, espera um pouquinho’. Ela ficou extremamente feliz. Através dos olhos dela eu vi a alegria. Fiquei extremamente feliz com a contribuição que pude dar a ela. É o direito do surdo de ter essa acessibilidade”, completa.

A Rosana e o Victor fazem parte do Projeto Libras, do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, que conta com colaboradores que dominam a língua brasileira de sinais para atuarem no dia das eleições.

Na região são 13 cartórios eleitorais e apenas 48 pessoas trabalham nesse projeto. A Marlene Pereira Andrade Silva é auxiliar de um cartório em Itaquaquecetuba e conta que o município conseguiu mais voluntários este ano.

“Esse projeto existe desde 2014. Porém, só conseguimos estar convocando os interpretes de Libras em 2018. Eram três. Em 2020, até agora, nós conseguimos 16. Houve uma desistência por conta de uma pessoa que não consegue trabalhar aos sábados. Portanto, hoje conseguimos 15”, explica Marlene.

“A zona 419 cuida de 37 escolas, entre elas, estaduais e municipais. Nós esperávamos que tivéssemos, em cada pólo de eleição, um intérprete de Libras. Porém, nós não conseguimos ainda. Quem sabe através dessa divulgação da reportagem alguns comecem a nos enviar as propostas para serem nossos auxiliadores?”, completa a auxiliar.

No Estado de São Paulo, 15, 8 mil eleitores se declararam com algum tipo de deficiência auditiva. Quem domina libras pode ser colaborador nas Eleições de 2020 e proporcionar mais acessibilidade a esse público.

“Nas eleições, nós auxiliamos quando o surdo sabe Libras. A gente faz a comunicação. Quando o surdo não sabe, a gente tenta oralizar, porque tem surdo que não sabe Libras, mas ele é oralizado. Quando o surdo não tem nenhum desses dois, nem Libras, nem oralidade, mas ele sabe ler e escrever, a gente também faz essa ponte”, explica Rosana.

“Atualmente trabalhando na comunidade surda, eu vejo as dificuldades que alguns surdos encontram em serviços essenciais. A dificuldade que ele tem em ir ao banco, ir ao mercado, em diversos lugares e não tem a comunicação. As informações não chegam a ele da forma correta. Pensando na Eleição, o surdo é um cidadão. O direito de voto, o direito da mudança, parte dele também”, afirma Victor.

Os interessados devem se inscrever pelo site do TRE-SP. Informações podem ser obtidas pelo email asspe@tre-sp.jus.br ou direto no cartório eleitoral.

Com Informações: G1 Mogi das Cruzes e Suzano

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