Sobrevivente em massacre recebe alta e vai à escola em Suzano: ‘Se deixar parar a vida, eles conseguiram o que queriam. E não vão conseguir’
Leonardo Vinicius Santana, de 16 anos, é um dos sobreviventes do massacre na escola Raul Brasil, em Suzano. — Foto: Natan Lira/G1

Sobrevivente em massacre recebe alta e vai à escola em Suzano: ‘Se deixar parar a vida, eles conseguiram o que queriam. E não vão conseguir’

Leonardo Vinicius Santana, de 16 anos, ficou ferido no peito e queixo durante ataque que terminou com 10 pessoas mortas em Suzano. Atendido no Hospital das Clínicas, em São Paulo, ele diz que quer ser cirurgião.

O estudante Leonardo Vinicius Santana, de 16 anos, reviveu os passos dentro na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, nesta segunda-feira (18). Baleado durante o massacre na quarta-feira (13), ele retornou à unidade de ensino para buscar o material escolar que ficou no prédio e disse que ainda não sabe se irá continuar os estudos no local, mas que não vai desistir dos seus sonhos. “Se deixar parar a vida, eles conseguiram o que queriam. E não vão conseguir. De nenhum de nós”, disse.

Leonardo é um dos 11 alunos feridos no ataque, que terminou com oito vítimas fatais, além dos dois assassinos. Três estudantes permanecem internados.

Durante a visita à escola, ele relembrou os momentos de pânico no ataque da última semana. O jovem estava próximo ao Centro de Estudos de Línguas (CEL) na companhia da namorada, Beatriz Oliveira Ferreira, quando começou o tumulto.

“Um monte de gente começou a correr, e ele veio atrás. A gente correu para o muro. Eu levantei ela para pular do outro lado. Quando ela pulou, o cara já estava lá do meu lado atirando em um aluno. Eu acho que aí acertou em mim. Eu então corri e dei de cara com o outro. Ele me puxa, eu estava de jaqueta cinza, mas aí eu consigo me soltar dele e sair correndo”, relembra o estudante.

Já na rua, sem saber ao certo o que havia acontecido, Leonardo buscou ajuda. A moradora de uma casa perto da escola o abrigou e tentou ajudá-lo a avisar a mãe.

“Eu só percebi que tinha sido ferido quando atravessei o portão e senti a boca mole. Aí eu coloquei a blusa na frente. Sangrou muito. Os médicos disseram que foi um tiro que pegou de raspão no queixo, e no peito parece uma queimadura provocada pelos estilhaços”, conta.

O estudante foi levado de ambulância à Santa Casa de Suzano e, de lá, encaminhado ao Hospital das Clínicas, em São Paulo, pelo helicóptero Águia da Polícia Militar. Ficou internado até a quinta-feira (14). Levou pontos desde os lábios até o queixo.

Nesta segunda, Leonardo retornou ao hospital em São Paulo para trocar os curativos e passar por uma nova sessão de terapia. “Eu vou passar por mais um retorno lá e depois vou saber como será o tratamento”, explica.

Recomeço

Apesar de estar firme na ideia de que o massacre não irá parar a sua vida e que a vivência no hospital reforçou o sonho de ser cirurgião, Leonardo Vinicius diz que ainda não sabe ao certo se vai continuar os estudos na Raul Brasil.

“Eu acho que ainda está muito cedo para pensar nisso. Amanhã [terça-feira, 19], eu não vou voltar para a escola ainda. Vou deixar as coisas se acalmarem ainda”, afirmou.

Mas, durante a entrevista, o jovem deu um pequeno sorriso. Foi ao falar do reencontro com a namorada. “Foi a melhor cena da minha vida porque eu estava muito preocupado com ela, depois do muro não sabia direito o que tinha acontecido com ela.”

Com Informações: G1 Mogi das Cruzes e Suzano

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