Pais denunciam enormes buracos em muro e livre acesso à escola estadual de Suzano; massacre na cidade em março abalou o país
Foto: Polícia Militar/Divulgação

Pais denunciam enormes buracos em muro e livre acesso à escola estadual de Suzano; massacre na cidade em março abalou o país

Enquanto a Escola Raul Brasil, onde massacre ocorreu, agora conta com segurança privada, na Yolanda Bassi os pais dizem que professores precisam lidar com traficantes dentro da quadra. Secretaria Estadual de Educação diz que muro será reparado e que procedimentos de segurança estão sendo revistos.

Foto: Polícia Militar/Divulgação

Mandar os filhos para a escola se tornou motivo de preocupação para os pais depois no massacre da Escola Raul Brasil, em Suzano, em março. O crime que chocou o País deixou duas funcionárias e quatro alunos mortos.

Para os pais de alunos da Escola Estadual Yolanda Bassi a situação tem sido ainda mais desafiadora.

A escola tem enormes buracos no muro, muito mato e eles dizem que o acesso ao interior é livre.

Na última semana, um suspeito de vender drogas na quadra da escola foi preso.

A Secretaria Estadual de Educação afirma que o muro será reparado e que as medidas de segurança estão sendo revistas em todas as escolas (veja nota completa abaixo).

Enquanto ali o perigo chega peles enormes buracos, na Raul Brasil os assassinos eram ex-alunos, que aproveitaram o portão aberto.

Desde a semana passada, a escola que ficou conhecida em todo o Brasil passou a contar com segurança privada.

Já na Escola Yolanda Bassi, para dar aulas de educação física, os professores precisam “dar um jeito” nos usuários e traficantes de drogas que têm livre acesso à quadra da unidade por meio dos enormes buracos na parede, para conseguir ministrar as aulas de educação física aos alunos.

Essa situação é denunciada pelo pai de um estudante do 6º ano que teme pela segurança do filho e preferiu não se identificar.

A Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) informou que as polícias Civil e Militar realizam ações constantes para combater o tráfico de drogas, além de manter contato com as escolas.

O denunciante é pai de um estudante do 6º ano e conta ainda que a situação no local é antiga.

Ele mora no bairro há 20 anos e diz que a escola foi construída neste período. Mas, logo após a inauguração, o muro da quadra foi quebrado e ficou assim.

“A escola já tampou aquele buraco algumas vezes, mas não tem jeito, eles vão lá e quebram de novo. Já virou um local de passagem. À noite, as mulheres nem passam ali perto, porque têm medo dos caras pegarem elas e levarem para dentro da quadra”, relata.

Outra moradora do bairro, que também preferiu não se identificar, tem três filhas.

Atualmente, a do meio estuda na Escola Yolanda Bassi e a mais velha também estudou lá.

Ela conta que por algumas vezes foi até a quadra e entrou pelo buraco que tem na parede para acompanhar como era a aula de educação física da filha, em meio às pessoas que frequentam o local.

“A escola é uma escola boa, até por isso a gente deixa os filhos estudarem lá. Mas, depois disso que aconteceu na escola Raul Brasil, o nosso coração fica apertado. Até porque quem estiver na quadra consegue acessar as salas de aula”, relata outra mãe.

Além disso, segundo a moradora, a vulnerabilidade não atinge apenas a escola Yolanda Bassi, mas também a Escola de Educação Infantil Professora Edna Leite, que também é possível acessar pela quadra que tem a parede quebrada. “Tanto que para cortar caminho, os pais que têm filho na Emei também passam pela quadra. Então fica todo mundo inseguro com essa situação. Parece que esperam acontecer uma tragédia para mudar.

O outro lado

A Diretoria Regional de Ensino de Suzano manteve a nova enviada ao G1 sobre a prisão do suspeito de tráfico, na quarta-feira: “todas as providências para reparo do muro da EE Yolanda Bassi estão sendo tomadas em caráter emergencial. A escola possui parceria com Ronda Escolar para policiamento do entorno da unidade.”

Ainda segundo a diretoria, “está em estudo um projeto para reforço da segurança nas escolas mais vulneráveis e os procedimentos de segurança em todas as 5,3 mil escolas da rede estadual serão revisados. A DE está à disposição dos pais ou responsáveis pelos alunos para quaisquer esclarecimentos.”

Segundo a Secretaria Municipal de Educação de Suzano, responsável pela Emei, o buraco fica no muro da Escola Estadual e a questão já foi passada à Diretoria Regional de Ensino. Mesmo assim a pasta está atenta ao problema e o setor de Manutenção Escolar realiza intervenções sempre que necessário no local.

“A direção da escola também já adotou medidas para aumentar a segurança dos alunos durante as aulas, com acompanhamento mais intensivo dos funcionários nos períodos de intervalo, assim como o reforço nos protocolos de segurança dos acessos à unidade”, trouxe a nota enviada ao G1.

Com Informações: G1 Mogi das Cruzes e Suzano

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