Página no Facebook propõe ‘consertar’ letras consideradas machistas

Às vezes a gente pode não perceber, mas algumas músicas que tocam nas rádios contêm letras que acabam propagando o preconceito

E, antes que já comece outro tipo de preconceito: não há estilo musical que escape de uma vacilada nesse sentido, viu?!

Pensando nisso, a Camila Queiroz criou a página Arrumando Letras no Facebook. Nela, podemos ver verdadeiras “canetadas” em letras que são consideradas machistas.

“Estava conversando com as amigas que moram comigo sobre o quanto o machismo se revela no nosso cotidiano e às vezes é tão velado que sequer percebemos. Aí lembrei de algumas letras de músicas. A gente vive cantarolando coisas sem prestar muita atenção no conteúdo, né?”, explicou Camila, em entrevista ao Letras.

“Essa ideia ficou na minha cabeça e, depois disso, “arrumei” duas letras de músicas na minha página pessoal. A discussão foi tomando corpo, ficando grande, até que eu tive a ideia de criar a página”.

DO ROCK AO SERTANEJO

Como falamos ali em cima, tem muita gente que pensa que as letras machistas vêm de um nicho específico. Mas essa opinião pode vir de um olhar menos atento, já que, infelizmente, o preconceito acaba sendo propagado em músicas diversas, seja do funk, samba, rock ou sertanejo.

Os exemplos de letras com conteúdo considerado machista são muitos, e são de músicas muito escutadas pelos brasileiros. A própria Camila conseguiu muitos desses exemplos no Letras, de artistas que são bem consagrados. “Todos os estilos possuem letras ofensivas, porque o machismo já está enraizado na sociedade. Não é questão de um ou outro gênero, e a gente vai abordar isso na página”, adianta Camila.

Sobre os “haters” que já dominam a página com comentários questionando a postura da página ou fazendo críticas, Cami se posiciona. “Eu já fui uma dessas meninas, que idealizava o amor por meio de letras assim, que são consideradas “românticas”. Ouvia as músicas e pensava mesmo que ciúme era demonstração de cuidado e de amor, por exemplo. Essa é uma ideia que é passada pra gente como algo normal. Pensei assim até o momento em que passei por um relacionamento abusivo e, olha, aprendi da pior forma que não, não tem nada a ver com cuidado”.

E finaliza: “Então, a gente precisa desconstruir isso aí, né? Ninguém precisa aprender que uma atitude machista está errada por meio do sofrimento”.

Arrasou!

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Fonte: Cifra Club

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