MOGI – Servidor da Prefeitura é preso por suspeita de inflar o próprio salário e desviar mais de R$ 1 milhão em dois anos
Foto: Arquivo do Mogi News

MOGI – Servidor da Prefeitura é preso por suspeita de inflar o próprio salário e desviar mais de R$ 1 milhão em dois anos

Segundo denúncia feita pela Prefeitura ao Ministério Público, o chefe de divisão da folha de pagamento adulterava dados do sistema e transferia dinheiro da administração municipal para sua conta pessoal desde 2017.

A polícia prendeu nesta sexta-feira (18), um funcionário público suspeito de desviar mais de R$ 1 milhão durante dois anos da Prefeitura de Mogi das Cruzes.

A prisão preventiva foi um pedido do Ministério Público (MP) e foi decretada pela 1º Vara Criminal do município.

Na última terça-feira (15), o prefeito Marcus Melo encaminhou um ofício ao MP informando que constatou uma fraude nos pagamentos de salário.

O Ministério Público passou então a investigar o caso e pediu a prisão de José Luiz Jurioli Filho, de 38 anos.

O funcionário é chefe da divisão da folha de pagamento e era responsável pelo pagamento de R$ 33 milhões mensalmente a cerca de 5,5 mil servidores, segundo a administração municipal.

O crime foi descoberto por causa de uma inconsistência de R$ 40 mil em uma das folhas de pagamento. “O conhecimento técnico permitiu que ele manipulasse dados. Ele não manipulava dinheiro, ele manipulava dados”, disse a procuradora a geral do município, Dalciani Felizardo.

Além da denúncia no Ministério Público, o prefeito solicitou a instauração de uma sindicância, que será presidida pela procuradora. O objetivo é apurar e ter acesso a todas as informações para avaliar a extensão do dano e, se for o caso, o envolvimento de mais pessoas.

 

Aumento do próprio salário

De acordo com a denúncia, o salário integral do servidor é de R$ 7.621,15. Porém, ao verificar as folhas de crédito de pagamento do banco, se constatou que vem sendo creditada na conta dele valores bem acima dessa remuneração.

Segundo o MP, em 2019, por exemplo, foi creditada na conta do servidor em 4 de janeiro, R$ 29.835,69 e, no dia 18 de janeiro mais R$ 40.942,75.

Em outubro de 2019, foram depositados indevidamente na conta do servidor R$ 47.749,13.

De acordo com os cálculos do MP, de outubro de 2017 até o momento, Jurioli gerou um prejuízo aos cofres públicos de R$ 1.044.262,63.

 

Desvios

Segundo o prefeito Marcus Melo, o servidor José Luiz Jurioli Filho estava adulterando dados do sistema de folhas de pagamento e transferindo dinheiro da administração municipal para sua conta pessoal desde 2017.

Em seguida ele encaminhava os dados alterados para o banco, via sistema. O banco então fazia o pagamento de acordo com as informações adulteradas.

Depois do pagamento, a Prefeitura informou que o servidor alterava novamente os dados para a sua anotação original para que a fraude não fosse percebida. Só então ele encaminhava as informações ao setor de contabilidade da Prefeitura.

Jurioli foi levado para o Garra, onde foi registrado um boletim de ocorrência. De lá, ele foi levado para a Cadeia Pública de Mogi.

“Já temos o bloqueio de bens, conseguimos também a quebra do sigilo bancário, que vai permitir que a gente identifique para onde esse dinheiro foi e, se não estiver todo na conta dele, auxilie nas investigações sobre a extensão de eventual participação de outra pessoa junto com esse servidor”, explicou a procuradora.

 

Contratação

O servidor, segundo o secretário de Gestão Marcos Roberto Regueiro, não era concursado. “A Prefeitura de Mogi tem uma empresa contratada que presta serviços de assessoria e folha de pagamento. Esse servidor era contratado dessa empresa, onde trabalhou por volta de 7 anos. Ele se desligou da empresa e, por relacionamento comerciais com a Prefeitura, pediu uma vaga de trabalho na administração”, explicou.

De acordo com o secretário, o Jurioli era responsável por toda a área de empenhamento da folha: apuração, ponto, afastamentos. “É um servidor público com muita qualificação técnica para desempenhar aquilo a que se propôs”, disse Regueiro.

Com informações: G1

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