MOGI – Parque Morumbi ainda espera por rede de esgoto; Prefeitura garante construção de coletora no bairro
Foto: Reprodução/TV Diário

MOGI – Parque Morumbi ainda espera por rede de esgoto; Prefeitura garante construção de coletora no bairro

Desde 2016 a obra no bairro já havia sido anunciada, como uma opção para despoluir rio e nascentes do local.

Os moradores do Parque Morumbi, em Mogi das Cruzes, sofrem com a falta da rede de esgoto. A situação influencia diretamente na poluição da área verde e nascentes do bairro.

Segundo a Prefeitura de Mogi, a Caixa Econômica Federal liberou o financiamento para a obra de coletora que vai receber o esgoto de diversos bairros da cidade, incluindo o Parque Morumbi.

Enquanto isso, o lago que fica na entrada do Parque Morumbi tinha tudo para ser o cartão postal do bairro, mas os moradores denunciam que a água que sai do esgoto das casas vai para dentro dele.

A reclamação é antiga, e o líder comunitário Décio Rodrigues Lopes montou uma espécie de dossiê com todos os capítulos da história. Ele tem, inclusive, uma multa que o Serviço Municipal de Águas e Esgoto (Semae) levou em 2010. A documentação foi reunida e virou uma denúncia no Ministério Público.

“Eu confio na justiça, que ela vai tomar alguma providência. Mas é uma providência demorada, porque quando se trata de nascente, o esgoto vai para o lençol freático cada vez mais contaminando. Como vai fazer para recuperar essa nascente depois? Na verdade, eu estou pensando que não vai dar mais. Descaso da Cetesb de 2013”, afirma.

Os moradores falam que em 2013 o Semae instalou a tubulação nas ruas, mas não conectou as casas nela. Por isso cada imóvel tem uma fossa séptica. Na casa da advogada Luziane de Oliveira, a fossa está até afundando.

“Nós estamos em uma bairro que eu posso chamar de privilegiado. Tem nascentes, todo o meio ambiente, que neste caso não está sendo protegido. Nós sabemos muito bem que a lei de proteção ao meio ambiente é severa. Já foram feitas várias denúncias, e nenhuma foi acatada. Principalmente das nascentes daqui, que são atacadas diariamente”, destaca a advogada.

A TV Diário acompanha essa história desde 2016, quando o então presidente do Semae, atual prefeito da cidade, Marcus Melo (PSDB), afirmou que a verba já tinha sido liberada.

Hoje a explicação da prefeitura é que a Caixa Econômica Federal não liberou esse dinheiro, porque nestes três anos o governo federal pediu várias revisões do projeto. De acordo com o Semae, isso aconteceu pelo menos cinco vezes.

Agora, com o dinheiro em mãos, a expectativa da prefeitura é fazer a obra em dois anos. A rede coletora vai ter quase sete quilômetros de extensão e deve custar cerca de R$ 8 milhões. Se isso realmente acontecer, o governo vai gastar mais de R$ 1 milhão por quilômetro construído.

Pelo projeto, o sistema vai passar pelo Parque Morumbi, Vila da Prata, Conjunto São Sebastião, Pedreira, Caputera, Mogi Moderna e parte do Centro da cidade.

O diretor do Semae, Glauco Luiz da Silva, diz que a autarquia vem trabalhando das questões ambientais envolvendo o esgotamento que ainda não tem tratamento, junto ao Ministério Público. “Avaliando aquilo que pode ser adiantado no plano municipal. Neste momento, nós vamos atender o Parque Morumbi, através dessa extensão e interceptação da Sabesp”, detalha o secretário.

A água do lago vai para o córrego Oropó, que atravessa a área de mata e deságua no rio Jundiaí. Mesmo sem um laudo da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) confirmando o impacto ambiental, é só observar a tubulação que deságua direto no córrego. Em alguns pontos tem espuma branca, lodo e lixo, fora o cheiro ruim.

A cabeleireira Ivana Santos de Carvalho se mudou de São Paulo para o Parque Morumbi há 6 anos. Um dos atrativos do bairro é a proximidade com o verde. Mas por causa do problema, caminhar no local em dias quentes está longe de ser uma experiência agradável.

“O odor complica, porque fica bem forte. Cheio ruim, e quando fica sem chover é pior, porque o nível da água baixa e o esgoto sobe”, diz.

Com a implantação do sistema, a promessa do Semae é a de que o lago volte a ter vida.

“Como esse loteamento foi aprovado com fossa séptica no início, na sua instalação, com todas as redes implantadas aqui e o encaminhamento efetivo para tratamento, isso aqui deve voltar a funcionar normalmente como lago”, garante o diretor do Semae.

A previsão do Semae é de que a licitação aconteça dia 13 de novembro e que os trabalhos comecem até a segunda quinzena de dezembro.

Em nota, a Cetesb informou que a situação de saneamento básico em Mogi é discutida pelo Ministério Público.

De acordo com a Cetesb, a promotoria pediu ao Semae a apresentação de um mapeamento geral do esgoto na cidade, informando as regiões já atendidas pela coleta e tratamento, as regiões não atendidas e as que estão para serem concluídas, para a formalização de um termo de ajustamento de conduta.

Por telefone, o promotor Leandro Lippi explicou que na última reunião, a prefeitura apresentou esse mapeamento do saneamento básico e soluções a curto e médio prazos. Além disso, a prefeitura ainda mostrou um cronograma de obras para a melhoria do saneamento, mas o prazo informado foi 2046. O MP pediu um prazo menor, por isso uma nova reunião está marcada para o começo de novembro, em data a ser definida.

Com informações: G1

Fechar Menu