Descarte de vidros e agulhas requer cuidados especiais, alertam coletores de Suzano
Coletores pegam sacos de lixo pelo nó para evitar acidentes. — Foto: Reprodução/TV Diário

Descarte de vidros e agulhas requer cuidados especiais, alertam coletores de Suzano

Coletores de lixo da cidade relatam acidentes provocados pelo descarte inadequado de materiais cortantes. Em todo o ano de 2019, Suzano registrou 16 acidentes envolvendo catadores de lixo. Desses, 13 foram provocados por cortes, seja por seringas ou pedaços de vidro.

O descarte de materiais cortantes, como agulhas e cacos de vidro, requer atenção. Quando mal embalados, esses produtos podem provocar ferimentos em coletores e catadores de lixo. Em Suzano, por exemplo, dezenas de funcionários da limpeza pública ficaram feridos durante o trabalho, por conta desse desleixo, em 2019.

Alcides Maldonado tem 51 anos e há nove trabalha como coletor de lixo em uma empresa de limpeza urbana em Suzano. Nesse período, já sofreu três acidentes enquanto recolhia o lixo nas ruas.

O mais recente foi em 2018, quando se cortou com um caco de vidro. “Eu fui apanhar o saco de lixo na lixeira, que fica assim, né? Eu fui pegar, tava o vidro dentro da lixeira, aí cortei o braço na época”, comenta.

Em todo o ano de 2019, Suzano registrou 16 acidentes envolvendo catadores de lixo. Desses, 13 foram provocados por cortes, seja por seringas ou pedaços de vidro. O que ajuda a explicar esse número é o descarte de lixo feito de forma irregular.

No meio dos restos de comida, estão agulhas, pedaços de vidro, entre outros materiais cortantes que podem causar ferimentos graves. O coletor Luís Antônio Ferreira, por exemplo, diz que essa situação é comum.

“Vidro, muita garrafa quebrada, né? Agulha, seringa, essas coisas a gente encontra bastante. A gente procura pegar o saco sempre de cima, pelo nó. Não meter a mão na lateral porque é perigoso porque a gente se machuca”, afirma.

Marcelo Aparecido Ramos, que é técnico em segurança do trabalho na empresa de Suzano, confirma. Para os coletores, a recomendação é mesmo pegar os sacos sempre pela parte de cima.

Ele faz um alerta também para quem está em casa. Agulhas e seringas não podem ser descartadas no lixo comum, porque além de perfurar a pele, podem transmitir doenças.

“Qual seria a forma correta de descartar esse material? Seria você colocar numa embalagem, o ideal é colocar numa embalagem, numa garrafa pet ou num material específico. O ideal seria devolver num posto de saúde, porque eles têm obrigação de receber esse resíduo pra descartar corretamente”, conta o técnico.

O gerente da empresa, Leandro Helfinichtaine, explica o que acontece quando um funcionário fica ferido durante o trabalho.

“Toda vez que tem um acidente com cortante ou perfurante, o que acontece? Primeira coisa é socorrer o funcionário. É comunicado a nós, nosso encarregado vai ao local, pega o material cortante ou perfurante, separa, é levado aos primeiros socorros, hospital ou posto de saúde. É feita uma comunicação aos técnicos de segurança que vão atender o funcionário. Pode ser uma infecção, pode gerar algum problema futuro. Aí, a técnica de segurança mantém seu trabalho de averiguar, comunicar e como fazer o afastamento ou não do funcionário”, diz.

Morador de Suzano, o funileiro Carlos Donizete sabe bem os cuidados na hora de descartar o lixo. Ele já está ensinando a filha de 6 anos a fazer o mesmo e garantir a segurança dos profissionais da coleta.

“Geralmente, quando tem algum vidro, eu corto uma garrafa pet, coloco dentro ou a caixinha de leite. Cato o vidro, coloco dentro da caixinha de leite para eles não se cortarem. Eu aprendi isso aí e acho que funciona”, comenta.

Fazendo o descarte

De acordo com diretora de Meio Ambiente de Suzano, Solange Wuo, épocas de festa requerem ainda mais cuidado, porque o consumo de bebida alcoólica aumenta e, junto, o uso de copos e garrafas de vidro também.

Ela recomenda que esses materiais, quando quebrados, sejam guardados em embalagens seguras, que podem, inclusive, ser aproveitadas de outros recicláveis, como garrafas PET e caixas de leite. “A forma de não causar esse dano é muito simples. A gente utiliza as próprias vasilhas, os próprios vasilhames recicláveis, retornáveis, para dar o acondicionamento”.

No caso das garrafas plásticas, a recomendação é cortá-la um pouco acima do meio, armazenar os cacos de vidro no interior e recolocar a tampa, com o bico para dentro e passar uma fita adesiva. “Ela é transparente. Quem vai manusear já está vendo [o interior]”, diz.

Para quem preferir a caixa de leite, ela tem uma dica importante. Após guardar o vidro, é preciso identificar com uma caneta o que está dentro da embalagem.

“Se você utilizar uma caixa que não é transparente, é o mesmo procedimento, porém, a gente lembra de fechar normalmente, fechar também com a fita. Nesse caso, quando ele pegar, vai ver que tem alguma coisa, mas mesmo assim a gente identifica”, comenta.

Não é preciso usar uma caixa grande e, se possível, o morador dele levar os materiais descartados ao Ecoponto, o que facilitará o processo de reciclagem e descarte adequado.

Já no caso das agulhas e materiais de saúde, a orientação é para que a paciente faça o armazenamento seguro, em embalagens fechadas, e leve até uma Unidade Básica de Saúde (UBS). O material é considerado lixo hospitalar e não pode ser descartado com o comum, pois pode gerar contaminações.

A fiscalização do descarte é feita pela Vigilância Sanitária, que atende por meio do telefone 4745-2060.

Com Informações: G1 Mogi das Cruzes e Suzano

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