Delegacia de Suzano organiza reuniões com casais para evitar casos de violência doméstica
Foto: TV Diário

Delegacia de Suzano organiza reuniões com casais para evitar casos de violência doméstica

Trabalho é feito pela Delegacia da Mulher. Agressores também participam de roda de diálogo.

Um trabalho desenvolvido pela Delegacia de Defesa da Mulher de Suzano, busca prevenir a violência doméstica por meio do diálogo em reuniões com os casais. Em Itaquaquecetuba, homens que estão à frente do atendimento aos casos de violência doméstica, incluindo os guardas civis municipais, participam de capacitação.

“O diálogo ajuda a prevenir a violência. Muitos casais acham algumas coisas normais. Eles brigam, xingam, mas não fazem por maldade. E sim porque aprenderam assim. Muitas vezes os pais tinham esse tipo de comportamento e eles foram criados neste ambiente. Eles fazem esse ciclo de forma natural. É preciso fazer entender que se o outro pedir, por exemplo, para pegar algo, desde que com educação não desmerece ninguém. Mas também nos deparamos com pessoas envolvidas com álcool e drogas que geram situações violentas dentro do lar”, explica a delegada Silmara Marcelino.

Em 2017, ela fez essa roda de diálogo com alguns casais. A primeira foi em julho e reuniu vários casais em um sábado. Eles participaram de palestras sobre relacionamento. Depois, a delegada passou a fazer reuniões quinzenais com casais até dezembro.

Em setembro foi a vez dos agressores participarem do projeto. Eles foram convidados a comparecer a Delegacia da Mulher e em uma palestra aprenderam mais sobre as consequências da violência.

Para 2018, a delegada planeja novos encontros. Todos os casais que participaram tinham boletim de ocorrência registrado na DDM de Suzano. ”Eles foram convidados a participar. Escolhemos aqueles que tiveram episódios de violência e optaram por manter o relacionamento. A intenção foi auxiliar a resolver conflitos com conversa e não com violência. Eu pesquisei no final do ano e esses casais não geraram novos boletins de ocorrência.” Para a delegada, a conversa não é uma solução que pode ser adotada em vários casos. “Tem situações que, se bem trabalhadas, podem ser um episódio isolado e o relacionamento continua. Mas se a gravidade for maior não dá para continuar.”

A ação começou depois de uma reunião do Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro), quando foi apresentado o trabalho feito pela Delegacia da Mulher de Diadema para conscientizar sobre a violência doméstica. “O diretor da Demacro falou do desejo que as delegacias de defesa da mulher fizessem algo semelhante a Diadema para auxiliar na prevenção da violência. Mas cada local tem uma realidade diferente. Eu conversei com a delegada de lá para saber mais sobre o trabalho. Ainda não temos o mesmo formato que o deles, mas é parecido. Nossa intenção é que com o tempo fique cada vez mais parecido.”

Segundo a delegada Silmara a intenção é retomar os eventos em junho ou julho. O projeto dela é fazer reunião aos sábados a cada 15 dias com os casais. Já com os agressores, ela planeja retomar o trabalho em abril.

Resultados positivos

Para um dos casais que participaram da roda de diálogo promovida pela DDM a iniciativa foi positiva. Casados há 20 anos e com dois filhos, um de 20 anos e outro de 11 anos, marido e esposa decidiram participar da ação.

Para a mulher de 39 anos, que prefere não revelar a identidade, o convite ajudou a consolidar a nova fase do casamento. “Desde que meu filho mais velho tinha uns 4 anos, meu marido de 40 anos sempre bebeu. E sempre que voltava alterado para casa havia a violência verbal, eram mais discussões. Mas recentemente, ele chegou bêbado e eu sempre ficava muito nervosa. E me deu uma dor forte na barriga. Eu abaixei e reclamei. Ele me disse que ia dar um jeito na dor e pegou uma colher de pedreiro. Não chegou a fazer nada, mas fiquei com medo. Nesse dia eu dei queixa dele na delegacia.”

Com medo, ela decidiu abandonar o marido: aproveitou uma viagem que ele faria a trabalho e foi embora com o filho mais novo. Como ligava para casa e não a encontrava, o marido ligou para familiares e retornou para casa, encontrando uma que carta a esposa havia deixado.

A mulher relatou que depois de um mês ele a encontrou morando em outro estado, no Sul do Brasil. “Nós conversamos e ele pediu uma chance, dizendo que mudaria. Eu aceitei e coloquei algumas condições, como por exemplo, ele me tratar melhor, me deixar trabalhar, e frequentar a igreja, que ele não deixava. E claro, parar de beber.”

Segundo a mulher, um mês depois o casal recebeu o convite da Delegacia da Mulher de Suzano para participar do encontro. “Ajudou muito e se tiver uma segunda fase queremos participar. A gente não se entendia conversando. E no encontro eles falaram que um tem que ouvir outro e ver o lado do outro. Foi muito bom. Agora, ele vai na igreja comigo e parou de beber.”

Capacitação do Atendimento

Em Itaquaquecetuba, o atendimento às mulheres vítimas de violência é aprimorado. Segundo a Prefeitura, desde que implantou a Ronda Maria da Penha homens que estão à frente do atendimento aos casos de violência doméstica, incluindo os guardas civis municipais, participam de capacitação.

Segundo a Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, eles participaram de palestras sobre o tema.

Em 2017 também foi oferecido, em parceria com a Defensoria Pública, o curso de capacitação sobre gêneros e masculinidades.

A Prefeitura informou que ao todo 40 homens se formaram por meio desta oportunidade. A secretaria planeja para agosto deste ano, quando será comemorado mais um ano da Lei Maria da Penha, um debate com os homens para discutir o assunto.

Com Informações: G1 Mogi das Cruzes e Suzano

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